O que deixarei para meus filhos? Uma reflexão sobre herança.
- Luciana Mello

- 20 de jul. de 2020
- 2 min de leitura
Sabemos que o aprender vai muito além da sala de aula; ele acontece no mundo, através das experiências, dos erros e da conquista da própria identidade. Quando pensamos em HERANÇA, o senso comum nos remete a bens materiais. Mas, para quem estuda o desenvolvimento humano, a maior herança é o alicerce emocional que permite ao sujeito se desenvolver.
Falar de herança gera ambiguidade. Como equilibrar o desejo de proteção com a necessidade de crescimento do outro?
Em minha trajetória pessoal, desenhei um "Plano Financeiro Materno" para minha filha. Admirava observar como mães, mais experientes que eu, se organizavam quanto a isso: antecipação de bens, carros aos 18, apartamentos na formatura. Acreditava que "poupar" minha filha de dificuldades era o maior ato de amor. Mas, o tempo, as vivências profissionais e pessoais me mostraram que o excesso de facilidade pode silenciar o desejo de aprender.
Hoje, meu olhar me diz: eu estava equivocada...
Percebi que o desejo de facilitar o caminho de um filho pode, na verdade, criar um obstáculo ao aprendizado da vida. Identifiquei alguns equívocos:
O Equívoco da Estabilidade
Muitas vezes, queremos deixar para nossos filhos um mundo que não existe mais. O mercado mudou financeiro, mas a forma como as novas gerações se relacionam com o espaço mudou ainda mais. A juventude atual busca propósito antes de posse.
A Herança da Adaptabilidade em um mundo que muda rapidamente
Como Psicopedagoga, entendo que a maior segurança que posso deixar não é uma parede de tijolos, mas a adaptabilidade. A herança mais valiosa é a capacidade de aprender a aprender e de ter inteligência emocional para circular por onde o desejo chamar.
O Equívoco Emocional - A Proteção que Imobiliza
Ao proteger nossos filhos de todas as frustrações, estamos privando-os de desenvolver funções executivas vitais: a resolução de problemas e a resiliência. As intempéries da vida são nossos maiores professores. Se entregamos o "pronto", roubamos deles não apenas o prazer da conquista, mas também a capacidade de serem fortes o suficiente para os enfrentamentos da vida.
Meu "plano" mudou. Entendi que o meu papel é garantir que o vínculo seja seguro o suficiente para que ela se sinta encorajada a explorar o desconhecido, tendo a plena consciência de que é capaz.
Filha, o que deixarei para você? Deixo a certeza de que o meu bem-estar é o seu passaporte para a liberdade. Deixo o exemplo de que o amor não é sobre reter, mas sobre preparar. Não é sobre dar, é sobre fortalecer. O meu amor é o seu porto seguro. Porque eu sei que, enquanto houver esse nosso laço, onde nosso afeto existir, sua aprendizagem sobre a vida sempre acontecerá. Voe alto, bata suas próprias asas bem forte e sinta o orgulho de caminhar com seus pés.





